Um dia me percebi querendo prestar mais atenção no mundo que se
passava fora de meu escafandro alienado.
Preso ao areal de minhas razões, que por sua vez, foi espancado
por ondas infindáveis de passagens e experiências, quase todas mal formuladas, executadas
com esforço. Ideias sobre tudo, segundo meu ‘tão importante’ ponto de vista.
Mas naquele dia em questão, me vi atento ao que se passava além
dos meus olhos, escondidos pelo reflexo do meu elmo de ferro. Olhava
atentamente a vida de tantos outros como eu.
Iguaizinhos. Todos vistosos de si, ora fingindo felicidade, ora
forçando melancolia, ora opinando sabiamente aos olhos dos demais, ora os
demais com olhos nas outras opiniões. Uma crescente tempestade de ego e
pensamentos que, embora estivessem disponíveis para a investigação, ainda
permaneciam fechados em seus respectivos casulos.
Trancados por parafusos, ligados por tubos aos tubos de outros
parafusos trancados. Pensamentos codificados e lapidados ao gosto da moda.
Iguaizinhos a mim.
E mesmo EU, o maioral em mim, me acovardo quando percebo quão fechado
sou.
Pra mim, ainda é assim.
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