segunda-feira, 7 de setembro de 2015

006

Um dia me percebi querendo prestar mais atenção no mundo que se passava fora de meu escafandro alienado.
Preso ao areal de minhas razões, que por sua vez, foi espancado por ondas infindáveis de passagens e experiências, quase todas mal formuladas, executadas com esforço. Ideias sobre tudo, segundo meu ‘tão importante’ ponto de vista.
Mas naquele dia em questão, me vi atento ao que se passava além dos meus olhos, escondidos pelo reflexo do meu elmo de ferro. Olhava atentamente a vida de tantos outros como eu.
Iguaizinhos. Todos vistosos de si, ora fingindo felicidade, ora forçando melancolia, ora opinando sabiamente aos olhos dos demais, ora os demais com olhos nas outras opiniões. Uma crescente tempestade de ego e pensamentos que, embora estivessem disponíveis para a investigação, ainda permaneciam fechados em seus respectivos casulos.
Trancados por parafusos, ligados por tubos aos tubos de outros parafusos trancados. Pensamentos codificados e lapidados ao gosto da moda.
Iguaizinhos a mim.
E mesmo EU, o maioral em mim, me acovardo quando percebo quão fechado sou.

Pra mim, ainda é assim.


Nenhum comentário:

Postar um comentário